2 de junho de 2005

Sketche do Primeiro-Ministro que responde às perguntas com provérbios

Boa noite. Temos hoje aqui connosco o Primeiro-Ministro. Mais do que governar, é conhecido por responder às perguntas com provérbios. Em confronto com o Primeiro-Ministro teremos o jornalista que mais odeia provérbios.
Jornalista: Como analisa os primeiros meses de governação?
P.M: Quem não tem ofício não tem benefício.
Jornalista: Não tem mais nada a dizer? Acha que com esse provérbio estúpido responde à minha pergunta?
Primeiro-Ministro limita-se a responder afirmativamente com a cabeça.
Jornalista: Espero que não seja sempre assim. Esperava tantas dificuldades?
P.M: Quem não anda por frio e por sol não faz o seu prol. A preguiça morre à fome à beira da água.
Jornalista: Aqui temos a novidade dos dois provérbios. Se bem que o segundo provérbio
pede outra pergunta. Mas continuamos com a estupidez. Só gostava de perceber porque não responde normalmente.
Primeiro-Ministro faz um gesto de “faça o favor de continuar”.
Jornalista: Acha que governar é uma tarefa que exige muito trabalho?
P.M: Quem em novo não trabalha em velho dorme numa palha. A preguiça morre à fome à beira da água.
Jornalista: Era o que já calculava. Nota-se que os seus recursos estão a escassear e os provérbios começam a repetir-se. Se bem que desta vez o uso foi adequado.
Jornalista: Esta pergunta é mesmo estúpida mas mandaram-me fazê-la. Acha que se fosse hoje os portugueses voltariam a votar em si?
P.M.: Não respondo.
Jornalista: Não responde porquê? Não se lembrou de nenhum provérbio por isso não responde. Responda lá sem provérbio, senhor Primeiro-Ministro.
P.M.: Não respondo é um provérbio.
Jornalista: Não é nada um provérbio. Está doido?
P.M.: Ó amigo, não tenho culpa que a sua cultura geral seja fraca. É um provérbio num registo um pouco diferente do normal mas eu por vezes gosto de inovar. Próxima pergunta.
Jornalista: Senhores jornalistas, irritem o gajo que ele fala sem dizer provérbios. O seu governo já teve alguns problemas. (faz o som “tzz” em tom de desprezo).Já se arrependeu de alguma decisão sua?
P.M.: Os homens inteligentes mudam de opinião os loucos não.
Jornalista: Deve achar-se inteligente! Olhó gajo…
P.M.: (a sussurrar) Continua com essa merda caralh…
Jornalista: A oposição tem atacado e acusa este governo de andar a reboque da oposição como comenta?
P.M.: Um cego não pode ser juiz em cores
Jornalista: Este estúpido é mais cego que o Stevie Wonder. Alguns jornalistas têm criticado a forma autoritária como tem desempenhado as suas funções. Como comenta?
P.M.:Mais vale um que bem mande que dois que bem façam.
Jornalista: Mais valia era ter um gajo normal. Odeio isto. Este gajo só sabe falar assim! Porra. Uma ministra sua revelou-nos algum mal-estar no último conselho de Ministros.
P.M.: Segredo em boca de mulher é manteiga em focinho de cão.
Jornalista: Mas porquê a manteiga? Não percebo! O que quer dizer é que uma mulher lambe o segredo. Explique-me o que quer dizer isto!
P.M diz que não com a cabeça.
Jornalista: A quem lhe diz que este governo precisa de remodelações e de sangue novo o que responde?
P.M.:Vassoura nova varre sempre bem.
Jornalista: Quer dizer que é preciso remodelações ou não? Não percebo. Pensa levar a tribunal o jornalista que publicou uma carta sua para um Ministro e cujo conteúdo foi muito desfavorável?
P.M.: Porque um burro deu um coice não se lhe há-de cortar uma perna.
Jornalista: Mas levar a tribunal é cortar-lhe a perna?
O P.M. diz que sim com a cabeça como se estivesse a dizer “é óbvio”.
Jornalista: Uma figura do seu partido e que já governou este país aconselha-o a ser mais tolerante com a comunicação social e ouvir mais as pessoas que estão à sua volta.
P.M.: Se o conselho fosse bom não se dava vendia-se.
Jornalista: E olhe que o seu ordenado não chegava para comprar todos os que precisa para ser pelo menos um governante sofrível.
P.M. faz-lhe um”vai-te te foder” com os dedos.
Jornalista: Um comentador conhecido num artigo disse que você diz que tem sempre solução para tudo mas que depois pouco concretiza.
P.M.: Quando o sábio aponta para a lua os estúpidos olham para o dedo.
Jornalista: E você é o sábio quer ver?
Jornalista aponta o dedo para a parede e o P.M. olha para o dedo.
Jornalista: Você olhou para o meu dedo. Você é que é o estúpido héhehe.
P.M. mostra uma cartolina preparada. Dizia :”Quem diz é quem é” em times new roman tamanho 300.
Jornalista: Costuma ler jornais de manhã ao pequeno almoço?
P.M.: Por cima do comer nem um escrito ler.
Jornalista: E foi a entrevista possível. Queria dizer que odeio este gajo. É estúpido e não consegue sair disto.
P.M.: Queres fazer hoje comigo o que fizeste ontem com o teu pai? Mas eu é que escolho o restaurante.