2 de junho de 2005

Entrevista imaginária a Bagão Félix

Entrevista a Bagão Félix


Jornalista: Senhor Bagão Feliz, bebe alguma coisa?

Bagão: Eu quando estou a trabalhar não bebo.

Jornalista: Está bem, mas bebe alguma coisa?

Bagão: Pode ser uma macieira.

Jornalista: Ainda se bebe macieira sem ser como cheirinho do café?

Bagão: Claro que se bebe. Não viu aquela campanha da Macieira com gelo em que entrava aquele rapaz da revista que copiava textos?

Jornalista: Não interessa. Conte-me lá como é que ficou essa história do défice?

Bagão: Isso queria eu saber!!

Jornalista: Mas conseguiu 3% do défice?

Bagão: Consegui. O João Soares também conseguiu 3% e ninguém elogiou. É injusto!

Jornalista: Explique-me lá essa história das cobranças de sisa e outros impostos a pessoas que nem estavam a dever.

Bagão: Vou explicar-lhe uma coisa e isto não sai daqui. Depois de termos visto o Relatório Minoritário do Ingmar Bergman, investimos secretamente num sistema parecido com o do filme. Nós conseguimos prever quais as pessoas que não vão pagar impostos e para evitar essas coisas pagam já. É simples.

Jornalista: Esse filme é do Spielberg. Mas esse sistema não detecta também quem está em falta há uns anos?

Bagão: Não. Não dá para termos tudo por questões de compatibilidade. Escolhemos esta modalidade porque comparámos o dinheiro que iríamos receber e fazendo a cobrança futura rende mais. Não é uma grande diferença mas vale a pena

Jornalista: Mas o sistema detecta até que limite de data?

Bagão: Até 2204, por aí…

Jornalista: Mas disse que não era uma grande diferença mas valia a pena?

Bagão: Pois já viu bem o dinheiro que estava por cobrar?

Jornalista: Mas 200 anos? Os atrasos com o pagamento com os impostos eram de quantos anos? Há aqui qualquer coisa que não bate certo.

Bagão: O Duque de Saldanha estava a dever uns milhares de euros de IVA!! Pois não sabia!!

Jornalista: Mas não havia IVA no século XIX, isso só começou quando aderimos à CEE em 86.

Bagão: Isso é que era bom! Vou falar a verdade o Saldanha não devia nada.

Jornalista: Como explica que 200 anos de cobrança futura seja quase o mesmo de no máximo uma década de impostos devidos.

Bagão: Sabe, a bem da competitividade incluímos no futuro um sistema fiscal em que as empresas não pagam impostos, temos de combater com os chinocas. E fizemos uma previsão do rendimento mensal per capita nos próximos 200 anos.

Jornalista: E qual é?

Bagão: cerca de 100 euros.

Jornalista: Mas quer dizer que o estado vai receber um adiantamento e não vai receber mais nada?

Bagão: Vai recebendo, á medida que o sistema a detecte novos nados vivos.

Jornalista: Mas vai cobrar aos bebés?

Bagão: Estamos indecisos sobre o método. Ou tiramos o dinheiro quando os pais forem abrir a continha do bebé em que depositam umas massas ou a minha favorita que é a obrigação dos pais em preencherem um formulário com o nib quando o bebé estiver a nascer. Só damos autorização para se proceder ao parto assim que o débito bancário esteja realizado.

Jornalista: Quer dizer que os pais do Vale e Azevedo estavam feitos se isso houvesse na altura. Eles acabariam por passar vários dias na barriga da mãe. E acabaria por morrer!

Bagão: É o sistema perfeito já viu? E outra coisa que eu gosto é que nenhum governo poderá mudar isto. O sistema já está montado para 200 anos.

Jornalista: Quer dizer que assim o vosso governo é para 200 anos.

Bagão: Ora bem! 10 vezes mais do que tinha sido dito pelo Nobre Guedes. Agora já percebeu porque é que não queremos abortos e queremos aumentar a natalidade. A partir de agora serão consideradas as nossas receitas extraordinárias!! Hehehehe!

Jornalista: E como explica essa história da Caixa Geral de Depósitos

Bagão: Eles não têm razão nenhuma! Eu acho que eles se chatearam porque trabalhar num balcão da CGD é muito desgastante e causa enorme stress. Imagine 8 horas a aturar velhos chatos que depositam 20 euros para depois levantar 10 euros. Não sabem usar cartões nem cadernetas e não sabem usar a net. Além de que o tempo de espera é enorme porque em cada hora tem de entrar o 112 para levar um velhote para o hospital.

Jornalista: Senhor Bagão, você não é velho?

Bagão: Não. Sou um tigre na cama!

Jornalista: Mas só lá vai com viagra!

Bagão: Mas sou um toiro!

Jornalista: Toiro, Touro ou Tigre?

Bagão: Tanto faz! Saia da frente porque eu tomei uns há bocado.

Jornalista: E esteve aqui este tempo todo excitado?

Bagão: Sim, um bocadinho bom hehehe!!

Jornalista: Mas isso do sistema é verdade?

Bagão: Não! É que eu quando fico excitado minto muito!

Jornalistaa: Então não é um tigre na cama.

Bagão: Não, estava a brincar. Eu tomo viagra para governar, é a única forma.