2 de junho de 2005

Entrevista imaginária a José Sócrates

Entrevista a José Sócrates

Jornalista:Quais as qualidades que um governante deve ter?

José Sócrates:Um governante deve ter boa imagem. Os portugueses precisam de sentir que quem os governa é acessível, afectuoso e simpático.

Jornalista:E um governante?

José Sócrates:Já lhe disse!

Jornalista:Eu sei estava no fundo a dizer-lhe implicitamente que a sua resposta é uma resposta á pergunta como ser figura pública ou como se chega a famoso ou ao ser do jet-set.

Sócrates: O que quer dizer implicitamente?

Jornalista:Vá ver ao dicionário. Se o tiver.

Sócrates: O que é um dicionário?

Jornalista:Não acredito que você não saiba o que é!! Então vai governar este país e é assim tão inculto?

Sócrates: Estava a brincar pá!! Já não se pode fazer piadas. Repare tivemos um P.M que não sabia quantos cantos tinham os Lusíadas e governou durante 10 anos.

Jornalista: E você acha que a ignorância é directamente proporcional ao nº de anos no governo.

Sócrates: Não, não tem nada a ver. O Guterres não tinha tantas falhas e governou menos tempo. Tá a ver?

Jornalista: Lá está uma prova de que essa regra nem sempre se aplica.

Sócrates: O que quer dizer com isso?

Jornalista: O que é que acha?

Sócrates: Pronto eu admito! O Guterres tinha mais falhas. Está contente?

Jornalista: Agora estou. Não quer acrescentar mais nada à pergunta que eu fiz?

Sócrates: Acho que não.

Jornalista: A pergunta foi “Que qualidades deve ter um governante”.

Sócrates: Eu sei. Sou assim tão burro?

Jornalista: Não me parece que tenha muita inteligência. Com o país neste estado, só se mete lá quem é parvo.

Sócrates: Não diga isso. Eu quero ajudar a resolver os problemas dos portugueses. Não quero o poder pelo poder.

Jornalista: Pare com isso! Poupe-nos dessas tretas.

Sócrates: Está bem.

Jornalista: Qual a primeira coisa que fará quando ganhar as eleições?

Sócrates: Ir ao Lux e festejar!

Jornalista: Não é isso homem! Qual a primeira medida governativa.

Sócrates: Já percebi! Você não faz as perguntas com clareza. A primeira medida… deixe lá ver. Vamos combinar uma coisa, quando sair o programa eleitoral do meu partido todos saberão.

Jornalista: Mas já saiu!

Sócrates: Já saiu? Quando?

Jornalista: Há umas semanas.

Sócrates: E ninguém me diz nada?? Mas quem é que manda aqui??

Jornalista: Não faço ideia.

Sócrates: Mas era mesmo o programa eleitoral? Aquela coisa com as coisas todas.

Jornalista: Sim. Aquela coisa com as coisas todas.

Sócrates: Estou tão atrapalhado. E estou a começar a ficar triste e inseguro.

Jornalista: Deixe lá, vamos continuar…

Sócrates: Desculpe, tenho de desabafar. Então uma pessoa trabalha todos os dias e depois ninguém me diz nada? Andam a trair-me, por isso eu tenho estes arranhões nas costas e não sabia porquê!

Jornalista: Mais um com as costas desgraçadas.

Sócrates: Mas eu estou mesmo todo apanhadinho, olhe aqui.

Jornalista: Tem de ir ver isso. Próxima pergunta. Do seu núcleo duro destaca-se António Vitorino. Quais são as suas maiores qualidades.

Sócrates: As minhas maiores qualidades são… Hahahaha brincadeira! O Vitorino é uma força da natureza. É um homem como há poucos por aí. A altura dele é igual à largura dele, estou a brincar!! Ele tem um olhar incrível uma pele muito macia e tem um cheiro muito pessoal. Eu estou sempre a perguntar qual é o perfume dele mas ele diz-me que não põe nada, que cheira mesmo assim. Eu sei que ele usa algum e ainda hei-de descobrir.

Jornalista: É o Burberry Touch. Ele disse-me mas isto não sai daqui.

Sócrates: Ok.

Jornalista: E as maiores qualidades de António Costa?

Sócrates: O António Costa. Ele tem um tom de pele fastástico. Ando há anos a tentar bronzear-me para ficar com aquele tom. Já experimentei tudo solário, auto-bronzeador e não consigo!

Jornalista: Que chatice. E tem mais alguma coisa relevante para acrescentar?

Sócrates: Não. Espere… não… não me ocorre nada.

Jornalista: Ia perguntar-lhe sobre o Manuel Alegre mas não sei se estou preparado para ouvir a resposta.

Sócrates: O Manel é um querido mas nós esquerda moderna temos de seguir um estilo diferente.

Jornalista: Defina esquerda moderna.

Sócrates: Esquerda moderna é manter o mesmo partido mas copiar todo o programa dos partidos de direita. Usar golas altas, casacos fashion, ser tolerante em relação às drogas leves e ao aborto mas ao mesmo tempo ser católico porque fica sempre bem. Ter sempre aquele ar de tristeza e dizer: “Custa muito tomar certas medidas mas tem de ser para o bem de todos. Por mim faria tudo diferente mas não pode ser, não podemos hipotecar o futuro dos portugueses”.

Jornalista: Mas essa é a maior crítica que a ala esquerda do PS lhe faz.

Sócrates: Ó pá, a ala esquerda do PS pensa da mesma maneira só que têm mais idade, usam bonés, gabardines, bebem vinhaça e não são betinhos.

Jornalista: E têm blogs.

Sócrates: Mas isso todos têm.