30 de março de 2006

Sobremesas

Detesto quando eu peço a lista de sobremesas e o empregado, com um ar completamente arrogante, começa a dizer: "Ora temos o arroz doce que está muito bom, temos o leite-creme bem queimadinho, barriga de freira, mousse de chocolate (CASEIRA ATENÇÃO!!!), etc". Quando eu peço a lista é para me darem a lista para eu vê-la com calma. Não aceito que me neguem o prazer de ver aquelas listas de sobremesas pré-congeladas de marca espanhola com fotos fantásticas. Imagens verdadeiramente eróticas e luminosas de uma tarte de whisky, trufas com natas e café, gelados com merdas de ginja que sabem a vomitado de bebedeira de Mon Cheri. Eu adoro ver as fotos e não me deixam. Todos sabemos que o sabor destas sobremesas é nojento. Eu gosto de ver a secção das sobremesas "tradicionais" em que perguntamos a um empregado maçarico como é feita a barriga de freira porque sabemos que ele não faz ideia de como se faz mas no entanto nós ficamos ali no puro gozo: "É com ovo? Mas é mesmo ovo ou é ovo em pó? É que eu não posso comer ovo em pó porque me faz mal à sinusite e a uma mala de viagem de marca Samsonite e não só". E o maçarico lá vai explicando dentro da esperteza limitada de alguém que explica algo que não sabe mas que à partida terá (como a maior parte das sobremesas caseiras) ovo, leite, açucar e um segredo especial. Dá vontade de rir ver uma fatia de ananás ao natural custar 3,50 euros.

Eu com 12 anos era aquele puto gordo, super guloso e pedia sempre mousse de chocolate ao ponto de saber quais as melhores mousses de chocolate de Lisboa e Porto. Acabo este texto atípico com uma história real. Uma vez depois de 5 minutos a ver as ditas fotos de sobremesas, viro-me para o empregado e peço uma coisa que vi na ementa que era "fruta da época". O empregado riu-se, o meu pai como sempre começou a gritar comigo, chamando-me de estúpido e explicando que eu tinha de pedir uma fruta concreta. Como sempre, a minha mãe tentava pacificar a situação acalmando o meu pai e explicando ao empregado e ao meu pai que eu era um brincalhão e que queria era uma maçã. A minha irmã ironizava comigo: "Tsss, fruta da época, és um granda tótó, hehehehehe". Eu não queria uma maçã. Nem a minha mãe sabia o que eu queria. Eu queria fruta da época.