10 de março de 2006

Mais Cavaco

O discurso de Cavaco parecia ser um discurso de Sampaio. É apenas um discurso de Presidente. Diz tudo e não diz nada. É impossível discordar de discursos tão vagos, tão óbvios e tão cheios de boas intenções. É como dizer: "Quero acabar com a fome e a guerra", "Portugal tem de vencer os desafios da modernidade", "Portugal tem de inovar", "Quero o melhor para Portugal e até dou uma ajudinha".

A imagem é de um Presidente "Rock in Rio" com uma revista Kais debaixo do braço, um chapéu da Ami, um porta-chaves da Unicef e uma caneta do Banco Alimentar contra a Fome.

Admiro a criatividade de comentadores e analistas em procurar no discurso de Cavaco coisas interessantes: "Atenção que temos em Cavaco o uso de termos como Cooperação Estratégica com o Governo, o que já tinha sido usado por Sampaio no primeiro mandato. Lembro-me que eu tinha ido ao Lidl nesse dia e até cheguei a comprar um aparelho de fazer Step". Até à parte do Lidl foi o que disse o António José Teixeira da TSF.

Cavaco tem frases do caraças e que enchem as medidas de palermas teóricos que discutem os termos e que as levam a sério:

"acompanhamento com exigência da acção governativa"
"Quero uma estabilidade dinâmica no país",
"Entendo que a estabilidade não é um valor em si mesmo. A estabilidade é uma condição, não um resultado"
"para que a estabilidade não se confunda com imobilismo, é necessário imprimir-lhe sentido dinâmico e reformista".

E agora teremos dezenas de crónicas, comentários e arrotos intelectuais.

Isto faz-me lembrar aqueles gajos armados em especialistas de arte que começam a falar de uma obra durante uma hora e depois vem alguém esclarecer que aquilo era um extintor.